domingo, 14 de julho de 2013

Terapia Holística. Profissão auto-regulamentada.





 
Terapia Holística é Magia, é Sagrada, é Xamânica, é Alquimia,
é Sacerdócio da Mãe Natureza de Pachamama, a Mãe Terra.
É a Ordem Teocrática em ação.
 
 
Terapia Holística. Profissão auto-regulamentada.
Terapeuta Holístico. Esta é a definição moderna para os profissionais de saúde que atuam com uma ou várias técnicas naturais e não invasivas para a prevenção, equilíbrio e recuperação da saúde.
Terapia Holística é o mesmo que Medicina Natural, Medicina Alternativa, Naturopatia, Medicina Integral, Naturologia, Medicina Complementar, Medicina da Floresta, Ciência dos Curandeiros, etc...
Terapeuta (do grego “therapeuein”, que significa: colocar em harmonia; servir aos deuses), e sua abordagem Holística (holus = totalidade) visa tratar o doente como um todo. O Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa define “Terapeuta” como “pessoa que exerce a terapêutica; pessoa que conhece bem as indicações terapêuticas. S. M. Pl. Monges judeus, dispersos no Egito, e que provavelmente se filiavam à seita dos essênios”.
A Enciclopédia Barsa assim define “Medicina Holística”: “Doutrina de medicina preventiva e terapêutica que enfatiza a necessidade de avaliar a pessoa como um todo e não apenas um órgão ou função isolada. Promove o uso de uma gama ampla de terapias e práticas saudáveis”.
No Diário Oficial da União, edição nº 142, seção 1, pág. 11259, de 26 de Julho de 1995, encontramos a Resolução nº 7 do Conselho Federal de Terapia Holística, a qual define a profissão do 3º Milênio, como segue: “Terapia é uma proposta de natureza predominantemente preventiva e não invasiva, onde o que se busca é o equilíbrio corpóreo-psíquico-social por meio de estímulos os mais naturais possíveis para que sejam despertos os próprios recursos do cliente, almejando a auto-harmonização pela ampliação da consciência. O terapeuta atua como um catalizador da tendência ao auto-equilíbrio, facilitando-a por meio de diversas técnicas, podendo, inclusive, fazer uso de instrumentos e equipamentos não agressivos, além de produtos cuja comercialização seja livre, bem como orientar seus clientes através de aconselhamento profissional”. (Definição oficial de TERAPIA elaborada pelo SINTE – Sindicato dos Terapeutas e pelo CFT – Conselho Federal de Terapia Holística).

TAO - Representa o Princípio Único - O Todo.
 
 
 Os Terapeutas Holísticos utilizam técnicas milenares (em grande parte Xamânicas), tais como acupuntura, massagem, ervas terapêuticas, cromoterapia, relaxamento, análise de sonhos, astrologia, iridologia, vivências, paranormalidade, artes divinatórias (oráculos), etc., bem como técnicas modernas de visão holística, como bioenergética, calatonia auricular, terapias florais, e outras.
O Tratamento Holístico visa promover o bem-estar, a harmonia e o equilíbrio, de uma forma natural e que abrange todos aspectos da vida humana, seja pela perspectiva emocional, psíquica, física ou espiritual. É complementar, pois pode ser associado a todo tipo de tratamento, seja ele convencional ou não, facilitando a recuperação e promovendo o restabelecimento de forma mais harmoniosa.
A Terapia Holística tem como conceito de cura, acima de tudo a expansão da consciência pelo desenvolvimento das potencialidades físicas, psíquicas, emocionais e espirituais do indivíduo como um todo. Isto se baseia no princípio de que Tudo está no Todo e o Todo está em Tudo.
 
 
 
Estamos Integrados ao Todo
 
A pessoa que se submete às práticas de Terapia Holística começa a aguçar sua sensibilidade para percepções de sua vida e a ser estimulada de maneira sutil a mudanças de atitude e de comportamento que levarão à maximização das oportunidades da vida e minimização das condições adversas.
A Terapia Holística, na prática e na teoria, funciona como um processo Iniciático, que conduz o indivíduo no Caminho Sagrado do Conhecimento de si mesmo como um Ser Cósmico integrado consigo mesmo, com a Mãe Natureza, enfim, com o Universo, com o Todo, chegando a compreender quem é realmente, por que está aqui e qual o seu papel na Vida e no Universo.
 
 
 
 

TARANTISMO

 
 
 
 
 
 

Epidemia de dança: há 495 anos, pessoas requebravam até a morte

 
 
 
 
Gravura de Henricus Hondius sobre esboço de Pieter Brueghel, o Velho, que testemunhou um caso de praga de dança em 1564. Na imagem, três mulheres vítimas são socorridas por homens Foto: Wikimedia
 
No século 16, a cidade francesa de Estrasburgo (então Sacro Império Romano-Germânico) era um movimentado centro comercial. Suas feiras eram frequentadas por pessoas de toda a Europa. Contudo, em julho e agosto de 1518, o local teve muito mais movimento - e não foi por motivos econômicos.

Conforme afirmam historiadores, tudo teria começado com uma mulher. Ela saiu de casa, provavelmente em 14 de julho ou algum dia próximo, e começou a dançar. Os relatos da época dizem que ela não parou por seis dias. Em uma semana, outras 34 pessoas começaram a se mexer de maneira ininterrupta. Era a eclosão de um dos casos mais curiosos da história da medicina: a epidemia de dança de 1518.

A "praga" tomou conta das ruas da cidade francesa e se tornou um problema para a nobreza e a burguesia, que consultaram os médicos da época. Após as causas astrológicas e sobrenaturais (que eram levadas a sério) serem excluídas, os especialistas chegaram à conclusão que o problema era natural, causado por "sangue quente" (para a medicina ortodoxa da época, poderia ocorrer um aquecimento do cérebro que causaria loucura). O tratamento: dançar, dançar e dançar - até as vítimas recuperarem o controle do corpo.

Salões e mercados foram abertos para as vítimas. Dançarinos profissionais e músicos foram chamados para mantê-los mexendo. Dia e noite, as pessoas requebravam freneticamente, sem parar. Se o doente enfraquecia, desmaiava, cambaleava ou diminuía o passo, o ritmo da música era aumentado. "Em um mercado de grãos e uma feira de cavalos, as elites criaram espetáculos tão grotescos quanto telas de Hieronymus Bosch retratando a loucura humana ou os tormentos do inferno", diz em artigo John Waller, professor de história da medicina da Universidade do Estado de Michigan e autor de livros e outro textos sobre esta e outras pragas de dança.

 
No verão europeu de 1518, uma moradora de Estrasburgo saiu de casa - e começou a remexer

 
 Não foi o primeiro caso de praga de dança registrado. Antes de Estrasburgo, pelo menos outros sete surtos ocorreram na Europa. Mas Estrasburgo teve maiores proporções. No final de agosto, seriam mais de 400 "infectados". Muitos mortos de tanto dançar - literalmente. "Nós não temos meios de saber quantos morreram - algumas crônicas dizem 'vários' e as autoridades da cidade foram suficientemente alertadas para parar toda a dança pública, tendo antes encorajado isso. É também plausível que as fatalidades resultaram de dançar sob o auge do calor do verão e raramente se parar para comer ou beber", diz o historiador ao Terra.

Após a primeira estratégia ter sido um desastre, as autoridades decidiram que o problema não era uma doença natural, e sim uma maldição enviada por um santo (para o pensamento do final da Idade Média, que persistia na região, os homens santos não apenas ajudavam contra certos males, mas também poderiam usar as doenças contra pecadores). O escolhido foi são Vito, conhecido por ajudar epilépticos.

A associação com o santo vem de outros casos de praga de dança. O primeiro conhecido foi na Suíça, quando dois surtos ocorreram em prédios religiosos no século 15, no dia seguinte ao de são Vito. Em 1518, a associação já estava bem conhecida.
As dançomanias são bem documentadas e foram descritas em numerosas crônicas medievais europeias que continham descrições de testemunhas. Além disso, diversos médicos do período escreveram sobre isso. Sendo assim, não há dúvida de que ocorreram - a questão mais relevante é: por quê?
Robert BartholomewSociólogo da Universidade James Cook (Austrália)

As vítimas então passaram por uma espécie de cerimônia. Foram calçados nelas sapatos vermelhos e os dançarinos foram despachados para um santuário dedicado a Vito nas montanhas. Eles ficaram ao redor de um altar com as imagens do santo, da Virgem Maria e do papa Marcelo. Nas semanas seguintes, a epidemia perdeu força até exaurir, com os doentes recuperando o controle do corpo.

Mas fica um pouco difícil acreditar que, repentinamente, um grupo de pessoas seja afetado por uma "praga de dança". Dá para confiar nessas histórias? Segundo Robert Bartholomew, sociólogo da Universidade James Cook (Austrália) , "as dançomanias (como também são chamadas) são bem documentadas e foram descritas em numerosas crônicas medievais europeias que continham descrições de testemunhas. Além disso, diversos médicos do período escreveram sobre isso. Sendo assim, não há dúvida de que ocorreram - a questão mais relevante é: por quê?"

Causas e teorias
Diversas são as opiniões sobre o que levou centenas de pessoas a saracotear freneticamente pelas ruas de uma cidade francesa no início da Idade Moderna. Uma delas é de que o problema teria causa química ou biológica. O principal "suspeito" é a ferrugem dos cereais, um tipo de fungo que ataca plantações. Segundo Waller, essa possibilidade foi descartada, pois, apesar de o fungo causar convulsões violentas e ilusões, ele não leva a movimentos coordenados que duram por dias.
 
 Outra causa seria a peste negra. A dança seria uma resposta à dor extrema causada pela doença nas vítimas. Segundo Robert Bartholomew, o problema aí é que a data não encaixa com as de surtos da peste.

Para o historiador John Waller, é necessário entender o contexto da época. As décadas que precederam a epidemia, afirma, foram notáveis pela severidade - mesmo em um período em que a população era acostumada com o medo e a privação. Ocorreram momentos de grande penúria em 1492, 1502 e 1511. Invernos rigorosos, verões abrasadores, granizo e tempestades de neve acabaram com as plantações - desastres que atingem mais a população pobre da cidade. Além disso, os senhores de terra aumentavam os impostos agressivamente e decretavam diversas proibições à população - como pescar e caçar em suas posses, o que apaziguaria a fome.

Em 1516, um verão escaldante acabou com as plantações e o preço do pão disparou. As pessoas gastavam suas economias para pagar pela comida. O inverno que se seguiu foi rigoroso e muitas pessoas morreram de fome. Doenças afligiam o povo e eram consideradas castigos divinos. Um relato da época conta que um orfanato ficou lotado com filhos de vítimas da varíola.

Segundo o historiador, o medo e a angústia eram gerais na população mais pobre, que acreditava em qualquer rumor místico. Além disso, a maldição do santo já era bem conhecida na Europa. "Que são Vito venha para você" ou "que Deus lhe dê são Vito" eram maldições conhecidas na época.

A pressão física e mental, diz Waller, tornou as pessoas mais suscetíveis a sugestões. Quando elas viram pessoas "amaldiçoadas" por são Vito, acreditaram também que elas eram amaldiçoadas e se uniram inconscientemente. A ação das autoridades, de incentivar a dança das vítimas em locais públicos, fez com que a epidemia só se espalhasse ainda mais.

"A praga de dança foi uma expressão patológica de desespero e medo religioso", diz Waller. Essa explicação se aplicaria aos demais casos. Em 1374, por exemplo, antes de a praga ser atribuída a são Vito, as vítimas acreditavam terem sido amaldiçoadas pelo diabo ou por são João.

Bartholomew tem outra visão. "Em teoria, muitos especialistas pensam que (as dançomanias) foram uma resposta catártica reprimida por estresse associado a pragas, fome e a peste negra, especialmente a última. Eu discordo. Eu sou um dos pesquisadores que tem uma explicação diferente. A de que essas pragas são consequências de crenças religiosas nas quais as pessoas pediam favores divinos através da dança", diz.

O sociólogo diz que relatos da época afirmam que as pragas de dança começavam com grupos de peregrinos que chegavam às cidades atingidas. Essas procissões eram marcadas por gritos a santos e danças pelos participantes. Ao longo do percurso, os moradores acabavam se unindo à dança, que se tornava frenética por parte dos fervorosos.

Para Waller, há um problema com esta hipótese: as vítimas não demonstrariam prazer em seus atos. Elas implorariam a outras pessoas e padres por ajuda. As expressões em suas faces eram de medo e desespero.
 
O fim repentino
As pragas de dança ocorreram durante a época final da Idade Média e desapareceram. Estrasburgo foi o último grande caso e até o final daquele século teriam sumido por completo.
"Não está inteiramente claro por que esses surtos pararam no final do século 16. É sensato assumir que como a crença nas maldições de santos enfraqueceram lentamente, elas não poderiam mais surgir. É também provável que com o estável crescimento do nível de instrução e o aumento, apesar de gradual, de uma mentalidade mais laica entre os educados, esses surtos não ficaram fora de controle porque as autoridades davam menor créditos às crenças populares", diz Waller.
Para o historiador, fica uma lição com a epidemia de dança. Por mais sobrenatural e inacreditável que o caso pareça, ele é um fenômeno psicológico que "nos lembra da inefável estranheza do cérebro humano".
 


sábado, 13 de julho de 2013

UMA MEDITAÇÃO PARA A PAZ MUNDIAL

 
 
 
 
 
Imagine a Paz como uma energia. Uma grande e poderosa energia Espiritual capaz de destruir a ilusão da separação, e a mentira da diferença que divide a todos nós, pois na verdade nós somos Uma Vida e uma família humana.

Imagine a Paz como um Espírito cósmico de amor e unidade, um Espírito universal que transfere harmonia entre todos os que o invocarem.

Imagine este Espírito de Paz como uma Luz, um grande oceano de luz branca perfeitamente pura, um mar tranquilo de Ser luminescente que pode limpar da mente o conflito.

Imagine o Espírito da Paz como um campo de Luz que envolve nosso planeta aguardando ser invocado. A Luz que nós podemos ancorar na terra. Uma Luz que nós podemos trazer para as nossas vidas. Uma Luz que nós podemos manifestar em nossa família humana e espalhá-la pelo mundo.

Este "Espírito da Paz" existe aqui e agora nos reinos superiores da Consciência. Nós podemos invocar este "Espírito da Paz", e trazer para as nossas vidas a sabedoria da unidade e a compreensão da unidade. Nós podemos trazer este Espírito da Paz para os nossos corações e mentes, e irradiá-lo para o mundo
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

''A nossa mente é como uma sinfonia''. Entrevista com Antônio Damásio / Neurocientista

 
 
 
 
 

Uma das capacidades do nosso cérebro é a de criar mapas. Mas se tivéssemos que criar um mapa do nosso cérebro, em muitas partes teríamos que escrever:"hic sunt leones" [aqui há dragões]. O cérebro é um território impérvio e, em grande parte, desconhecido. Alguns cientistas, como exploradores corajosos, tentam conquistar terreno para descobrir o funcionamento desse esplêndido e misteriosíssimo órgão.

A reportagem é de Marco Filoni, publicada no jornal La Repubblica, 18-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ou, melhor, ele talvez seja o mais audaz e temerário dos exploradores. Neurocientista de fama mundial, nascido em Lisboa, Portugal, ele agora leciona em Los Angeles, onde também dirige o Brain and Creativity Institute. Ele deve a sua notoriedade aos seus estudos sobre a fisiologia das emoções, sobre memória e sobre o Alzheimer, além dos seus livros fundamentais.

Nestes dias, ele está em Veneza, onde na noite dessa quarta-feira, 18, ele recebeu o Prêmio Bauer-Ca' Foscari e inaugurou a série de encontros internacionais Encruzilhadas de civilizações. Nessa quarta-feira, também foi publicado pela editora Adelphi o seu último livro, Il sé viene alla mente, um livro sobre como o cérebro constrói a mente consciente.

Eis a entrevista.

O senhor começa o livro com uma citação de Pessoa: a alma como "uma misteriosa orquestra" e o conhecimento de si mesmo "como uma sinfonia".

Eu sou português, e Pessoa faz parte da minha cultura. E a analogia com a orquestra nos explica bem o que é a vida humana. Pensemos em uma peça de música. Há um projeto a ser realizado, a própria peça, depois há o maestro, os músicos etc. Mas para que o projeto se realize não basta tocar as notas de modo correto: há também os tempos a serem respeitados, a linha vertical da partitura. Assim, a vida humana é um pouco a mesma coisa.

E que papel tem a consciência?

A consciência é uma grande peça sinfônica. Podemos dizer que ela é o principal ingrediente da mente, que, ao contrário, seria apenas cérebro, capaz de poucas operações básicas. A mente consciente, ao invés, têm diversos níveis de "si": o "eu primordial", o "eu nuclear", o "eu autobiográfico". Nós compartilhamos com diversos animais um tipo de consciência muito simples, que pode ser distinguida com o termo senciente. Em inglês, equivale a consciência, mas, para sermos mais precisos, é a condição de ser senciente. De fato, é um termo mais antigo do que consciência, deriva do latim “sentire”. Este é substancialmente um "eu primordial", que permite ter sensações como sentir dor e prazer, mas não refletir sobre essas sensações.

Coisa que nós, seres humanos, podemos fazer.

Graças a outros níveis, como o "eu nuclear" e o "eu autobiográfico". Assim, somos capazes não só de ser sencientes, mas também "reflexivos". Ou seja, temos a capacidade de especular sobre nós mesmos e sobre o que acontece conosco. Também na perspectiva da história e da memória: tudo o que acontece conosco é um eco do que passamos e ganha sentido no que acontecerá depois.

A consciência é, portanto, o que nos permite dar sentido às coisas?

Exatamente. O nível básico tem a ver com as sensações. O restante da consciência dá um quadro melhor e mais claro do que as coisas significam.

E que relação esse aspecto reflexivo tem com o corpo?

Toda ação material é modelada e forjada pelo cérebro. Há uma fusão constante entre cérebro e corpo. Tanto é que basta cortar esse vínculo que tudo entra em colapso. É o caso dos danos ao tronco cerebral, como acontece em certos casos de coma: tudo entra em colapso, física e mentalmente.

No livro, o senhor cita uma máxima de Francis Scott Fitzgerald: "Quem inventou a consciência cometeu um grande pecado".

Eu gosto muito de Fitzgerald: ele foi um escritor brilhante e o que me liga a ele é o fato de ele ter passado os últimos anos da sua vida em Los Angeles, onde eu vivo. Quando Fitzgerald tentou escrever para o cinema, ele fracassou miseravelmente. Isso porque ele era muito literário, muito sofisticado, enquanto os estúdios queriam histórias rápidas, diálogos fáceis e pouca reflexão. Desse seu fracasso, podemos deduzir a ideia que ele tinha: o fato de que a consciência, embora extraordinária, tem um lado obscuro, pois nos diz quem somos e onde fracassamos. Ela tem uma dupla face.

Podemos dizer que a consciência é uma espécie de roteiro da nossa vida?

Sim, isso mesmo, e podemos colocar as duas metáforas que usamos paralelamente: como seres vivos, temos na base uma sinfonia e, depois, quando alcançamos o nível da linguagem, temos um roteiro. E é isso o que fazemos: escrevemos as coisas, todas as vezes.

Portanto, somos nós que "escrevemos" a nossa consciência?

Nós somos os seus autores, em grandíssima parte, mas não totalmente. No passado, a natureza a escreveu para nós. Por isso, não somos completamente donos do nosso destino: muitas vezes, nos encontramos diante de coisas que não queríamos, mas que simplesmente aconteceram.

E essa consciência é sempre algo bom?

Quanto mais sabemos como somos feitos, mais podemos entender como funcionamos. Certamente, há a dupla face, quase perigosa (e Hitchcock me vem à mente), da qual Scott Fitzgerald falava, que nos mostra a tragédia da vida: viver e morrer. No entanto, esse conhecimento é a única possibilidade que temos de ajudar os outros a viver melhor.

Por que Alfred Hitchcock lhe veio à mente?

Eu gosto muito dele, particularmente o filme O homem que sabia demais. Perto do fim do filme, o protagonista interpretado por James Stewart diz algo mais ou menos assim: "Mesmo um pouco de conhecimento pode ser muito perigoso". De fato, no filme, ele terá um fim terrível.

Que importância tem a biologia no seu trabalho?

Tudo pode ser melhor entendido se o olharmos em uma perspectiva biológica. Os nossos sistemas biológicos são sistemas econômicos, ou seja, sistemas que operam em um ambiente social. Isso pode nos ajudar a compreender a nossa sociedade que, no fundo, se comporta como um sistema biológico, baseado no sucesso e no fracasso. Os sistemas morais, religiosos, econômicos, assim como as leis ou a medicina e as artes, nada mais são do que uma projeção de um sistema biológico.

E como se concilia esse viver biológico com a consciência que temos de nós mesmos?

A nossa condição de seres vivos é uma luta contra a doença e a morte. É uma batalha constante. Sempre devemos lutar para manter uma "condição homeostática". Essa condição oscila entre o bom funcionamento e o mau funcionamento. Desde o início biológico e evolutivo, historicamente, aparecem esses yin e yang, um sob a forma do prazer, e o outro sob a forma da dor. E viver é estar no meio disso. Devemos navegar entre a muita dor que te mata e a muita felicidade que te mata da mesma forma.

O senhor está satisfeito com as suas pesquisas?

Não, por nada: eu consegui esclarecer algumas ideias, mas descobri muitas outras a serem desenvolvidas e estudadas. Nas palavras de Scott Fitzgerald, no fim de O Grande Gatsby: somos um navio que sempre vai contra a corrente, um pouco para a frente e um pouco para trás.


Para ler mais:



 
   
 
 
 
 

A teia da vida

 
 
 
 
 
Você é o resultado do que tece no dia-a-dia criando armadilhas, conflitos emocionais, alegrias, realizações e satisfação pessoal.

Não somos o tempo todo a mesma pessoa. Você simplesmente está, não é. Atuamos em vários papéis dependendo do grau de condicionamentos em que vivemos ao interagir com outras pessoas.

É a teia da vida, a medicina da criação, a malha cósmica do Karma e do Darma.

Não há um código específico para interagir, ninguém vem com bula, pois cada pessoa é um universo com estrutura diferente, característica, personalidade e temperamento com os quais você se identifica ou não. E, mesmo rejeitando, é obrigado a interagir por condicionamento da própria vida.

Exemplo:
Você tem filhos, irmãos, amigos, colegas de trabalho, superiores, pai, mãe, etc. e, com cada um deles, você tem uma forma de agir. Adapta-se a cada pessoa e age de forma diferente, gerando harmonia ou conflitos e, nem sempre, é inteiramente transparente.


Trata-se de uma estrutura dinâmica e complexa na qual você não pode perder seu referencial e valores.
Quando você dá muita importância a determinadas atitudes externas, que geram angústia, acaba dando "força" a essas pessoas, deixando-se vampirizar. É preciso escolher entre dominar, ser controlado ou gerar o equilíbrio.

Ser autêntico é uma arte que exige criatividade, sabedoria e, às vezes, há a necessidade ser político. É muito difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredita.

O importante é a norma de conduta com você mesmo, não se violentar, ser sempre fiel a seus valores pessoais, éticos e religiosos. É imprescindível pontuar tais valores pessoais, pois é justamente na negligência deles que os conflitos se instalam acompanhados da sensação de fracasso.

A coragem, a autenticidade e a conscientização são os segredos que geram o equilíbrio e que desarmam as barreiras criadas na teia da ilusão.

Você é o resultado da soma entre a ética, a criatividade e a imaginação no interagir, tecendo a teia de sua vida. É esse resultado que dá visão e poder para realizar os sonhos e atingir os objetivos.

A libertação da teia de crenças, padrões e condicionamentos exige de você um encontro com os dons sagrados e os anseios de sua alma em essência Divina.


:: Miriam Carvalho ::